80 apresentações. Oitenta encontros. Oitenta formas de continuar.
No dia 05 de dezembro de 2025, o Pontão de Cultura Cidade Livre viveu uma noite que não cabe só no calendário: daquelas que ficam no corpo, no silêncio depois do aplauso, e no que a gente leva pra casa sem saber nomear.
Em cena, “Sinfonia do Caos”, monólogo da Cia. de Teatro Cidade Livre, conduziu o público pela estrada de Davi — um andarilho que para à beira do caminho para revisitar suas origens: os sonhos de criança, o sumiço violento do pai, e a busca que atravessa toda uma vida. Com texto do Mestre Mauri de Castro e atuação de Jefferson Lobato, o espetáculo abre espaço para o que é íntimo e, ao mesmo tempo, coletivo: a falta, a resistência, a memória como território.
Naquela noite, a celebração das 80 apresentações ganhou outro sentido: o de um encontro raro, feito de presença real. Um público formado em grande parte por meninas e meninos das turmas de teatro, por jovens e crianças que habitam o Pontão no cotidiano, e por pessoas que carregam a história da casa. Gerações se reconhecendo no mesmo chão — e lembrando, juntas, que cultura também é continuidade.
Jefferson compartilhou, o que ficou da noite:
“Foi um daqueles encontros raros — um em cada mil.
O que mais me marcou foi ver que a maior parte do público era formada por meninas e meninos das turmas de teatro. Isso, por si só, já é lindo: ver a casa cheia de quem aprende, pratica, cresce e volta.
Mas teve algo ainda maior: o encontro entre gerações. Pessoas que ajudam a construir a história do lugar, lado a lado com os mais velhos, com os jovens, com as crianças — todos no mesmo tempo, no mesmo espaço.
E depois, no debate… foi de uma riqueza difícil de explicar. Eu chorei muito. Chorei por sentir, com força, que ainda vale a pena sonhar.
Mesmo sem dinheiro, mesmo com tanta coisa contra, ainda vale a pena acreditar que o Pontão é uma fonte de vivências, de trocas, de alma.
Foi surreal. Surreal.”





